10.8.15

#Textos: humano, oi?


Existia um tempo, não tão distante assim, em que as pessoas eram mais humanas. Conversavam, se importavam, eram solidárias aos sentimentos alheios, riam por pura diversão, choravam por coisas tão pequenas, mostravam compaixão, consideravam o menor gesto, a menor atitude de lembrança, de agrado. Se importavam com a dor ou a realização do outro. Traziam à tona aquele misto de sentimentos que realmente davam significado a palavra humano. 

Aquela eufórica sensação de se receber uma carta não existe mais. Bilhetinhos deixados em livros, recados no verso de uma foto ou na capa do caderno. O que é tudo isso agora? Talvez uma mera lembrança. A perda só é mais uma. O riso é só o esforço do outro para se mostrar bem. Ah, ele está precisando de ajuda? Deixe assim, quando eu preciso ninguém se importa. Ah, ele sofreu um acidente. Já morreu? Cadê as fotos?

O hoje é um mundo tão online, tão conectado que chega a ser chato. As pessoas estão tão próximas e ao mesmo tempo muito distantes que a proposta de uma interação ao vivo, lado a lado, frente a frente, olhos nos olhos (como queira) é quase que um desafio. Aliás, um penoso desafio. 

Me assusta saber que hoje o que importa para a maioria é atualizar as redes sociais com fotos e frases bonitas; que é ter muito dinheiro na conta bancária as custas de esforços dos outros; que é se preocupar e criticar a vida alheia em vez de olhar para o próprio caminho que está traçando; que é espalhar notícias falsas nos whatsapps da vida sem nem ao menos refletir as consequências que essas fofocas causarão; me assusta saber que há quem não se importe com a dor dos outros, mesmo sabendo que um dia poderá sofrer dessa mesma dor ou pior. 

Me assusta saber no que o humano está sendo transformado. Me assusta só imaginar os próximos anos....


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