16.11.15

#Texto: todo bom amigo! (1)


Era tarde de domingo, estávamos deitadas em colchões espalhados pela sala. O objetivo era assistir filmes, comer brigadeiro, falar bobeiras sobre a vida. Então, abrimos um vinho. Era tinto e suave, eu acho. Era bom. Melhor ainda era a companhia e a conversa. Muito vinho, muita conversa, muita graça. Ingredientes básicos para uma crise de riso, daquelas que resultam em lágrimas e dores de tanto rir. Tínhamos 15, 16, 17 ou 18 anos? Não sei! Não lembro! Mas foi divertido. Muito divertido (principalmente por quem assistiu).

Chuva, muita chuva numa tarde da semana. Eu e mais duas amigas íamos, a pé, para a casa de alguém (não lembro quem). Na memória apenas momentos específicos: chuva, três adolescentes correndo, misturando gritos com risos.  Ao final, exarcadas mais felizes.

Eu tinha um problema sério com bicicletas. Tinha a minha, mas dificilmente usava porque meu pai (com ódio mortal por este tipo de veículo) não deixava. Se fosse preciso, me levava e buscava, mas nada de bicicletas. Em determinado dia, fomos até a casa de uma amiga (ao meu ver, longe). Era para fazer algum trabalho de escola. ERA. Em determinado momento, decidimos que era preciso ir para casa de alguma outra amiga. Certos detalhes me fogem da mente. Todas elas usando bicicletas. E eu? Bem, parei no guidão de alguma delas. Transporte um tanto incômodo. Na verdade, eu acho que estava com medo. Com razão! Entramos em uma rua de cascalho, conhecida como baixadinha (imagine o porquê). Um monte de meninas junto, eu em um guidão, descendo em uma rua de cascalho. Imagine a confusão, tombo à frente, duas no chão. Entre ralados e terra, risos, risos e risos. Doce diversão de crianças desse mundão.

Era uma noite qualquer, sem nada para fazer na cidade. Decidimos então jantar um belo strogonoff com batatas.  Mas tudo o que nos envolve pode ter certeza, não será 100% normal. E mais uma vez não era. Tínhamos uma caixinha de cerveja escondida em baixo da cama (porque afinal, nem bebíamos), música rolava no computador, ríamos de alguma história até que POW! Um acidente na esquina. Curiosas de plantão, penduradas no muro vendo a cena, um strogonoff quase queima (acho que usei só para rimar porque não queimou não, éramos competentes na cozinha). Entre mortos e feridos, naquele dia, todos sobreviveram. O strognoff estava delicioso e a cerveja estava gelada (mas não bebíamos, ok?).

Era tarde de quarta ou quinta-feira. Estava no trabalho da mãe, ajudando no que era preciso. O celular toca. Era uma grande amiga, chorando do outro lado da linha. Algo havia acontecido. Estava precisando de um ombro amigo. Eu fui lá. A pé. Sob sol rachando (só para variar). Chego e sou recebida por um abraço. Espero as lágrimas terminarem para que ela consiga me explicar o ocorrido. Um namoro desfeito ( =/). Solto meia dúzia de palavras que sempre falamos em términos. Damos risada, esquecemos do ocorrido e nos afundamos em uma panelada de brigadeiro. Afinal, há remédio melhor que um bom brigadeiro?

Uma amiga decidiu mudar de vida. E para isso, saiu de perto de nós. Achou - e com razão - que outra cidade era o melhor lugar para recomeçar, ou melhor, se aprimorar.  A despedida não seria uma simples despedida. Enquanto ela organizava as malas, tratávamos de gastar todos os post it dela com recadinhos fofos (ou nem tanto assim), colando-os por todo o quarto. No final, um mar de rosa-amarelo-verde-laranja se espalhou por aquele lugar. E depois, lógico, ocupou um bom espaço da mala.

À todo bom amigo (a) que fez parte dessas e outras tantas histórias da minha vida. Obrigada!


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