20.10.17

Toti s2




Esse da foto é o Toti e, acredite se quiser, mas ele me acompanhou nos últimos 18 anos. 

Quando criança, eu sentava no chão da varanda de casa e ele sentava ao meu lado. Ao contrário dos outros, ele não aproveitava a oportunidade para pular ou pedir carinho desesperadamente. Ele simplesmente sentava e ficava ali comigo e, se deixasse, seria por horas. Quando eu ficava doente normalmente ele ficava ao pé da minha cama, sentado, me olhando como quem dissesse: to te cuidando, garotinha. Quando eu estava triste ou cansada, ele chegava quietinho até mim e deitava a cabeça na minha mão ou no meu braço, quase que falando: vai passar. Ele me viu crescer e participou de todas as aventuras que uma criança/adolescente poderia viver.

Levou muita bolada quando eu juntava as amigas para jogar vôlei em casa; tomou alguns banhos de mangueira quando eu lavava a varanda e ele achava que era um bom momento para ficar passeando por lá; conheceu todos os meus amigos e, latiu em todos os outros que eu achava que eram pessoas legais mas que no fundo nem eram tanto assim; já ficou sujo de tinta quando eu ainda pintava minhas telas mas nem por isso ele abandonava o lugar ao meu lado.

Ele participou de todas as festas que eu fazia lá em casa. E se era churrasco então, a felicidade era nítida nos olhos de quem iria receber pedacinhos de carne. Ele sabia meus horários melhor que meu próprio pai: às 6h costumava estar sentado em frente a porta do corredor do meu quarto pois eu estava prestes a levantar; às 11h30 sabia que eu estava chegando para o almoço e às 23h estava lá no portão de casa porque eu estava voltando da faculdade. A hora do almoço era sagrada: eu estacionava o carro na garagem e ele então aparecia ao lado da porta do motorista para dar duas latidas, um pulo e esperar pelo carinho na cabeça. Em dias mais animados, ainda tentava arrancar a chave do carro da minha mão.

Usar vestido ou saia longa era certeza de que ele iria passar o restante do dia brincando com a barra da roupa. Quantas vezes quase não cai porque ele achava que ali era um ótimo lugar para ficar.
Ah, como ele amava olhar a rua! Quando eu entrava com o carro e fechava o portão, as vezes não dava tempo dele voltar. Em vez de correr e ir conhecer o mundo, ele sentava na calçada em frente ao portão e esperava eu abrir. As vezes eu não percebia que ele tinha saído, então, para me lembrar, uivava, sentado, esperando a porta se abrir. Voltava todo feliz!
Ele sempre foi um lorde. Não era de latir. Não era de bagunçar. Não era de estragar as coisas. Mas ele era de dar atenção. Muita atenção. Ele era da família. Meu pai sentava para assistir tv, ele sentava na poltrona ao lado. Minha mãe sentava no sofá para assistir jornal, ele deitava no tapete. Ah, e como ele se incomodava quando o tapete estava no varal. Se eu precisava estudar, ele deitava embaixo da cadeira ou de frente para minha mesa. Se eu ficasse por horas lá, ele também ficaria...
Mas como para todos nós, o tempo estava passando para ele também. A disposição para subir na cadeira favorita já não era a mesma e por muitas vezes parava, olhava para cadeira, olhava para mim como se dissesse: dá uma ajudinha aqui? Ele ainda me recebia nos meus horários, mas já não chegava a tempo na porta do carro. Com isso, esperava sentado ali perto da cozinha. Em dias de churrasco, ele esperava deitado. Afinal, os pedacinhos de carne chegariam de qualquer jeito até ele. Olhar a rua? Quem sabe daqui da varanda.
Essa noite ele decidiu que seria um bom momento para fechar os olhos e, de fato, não acordar mais. Foi estranho chegar para o almoço e não te ver lá. Mas as coisas vão se ajeitar. Obrigada pelos últimos 18 anos, meu eterno menino!🐶❤️

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