17.10.18

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Você ainda é um bebê que mal se aguenta em pé e já é alvo de disputa entre sua família, que insiste em tentar adivinhar qual será sua primeira palavra. Afinal, será papai ou mamãe?  Está nos primeiros anos de escola, feliz entre brincadeiras com os amiguinhos e a descoberta de que no fundo você gosta de estudar, e tem que responder com uma certeza quase que absoluta sobre o que quer ser quando crescer. "Astronauta", sua versão mini responde, sem entender que aquela risada que o adulto está dando pode não ser de alegria mas sim de deboche. 

O crescimento ocorre acompanhado de cobranças disfarçadas de perguntas curiosas; apoios questionáveis; conselhos duvidosos... é um tal de querer saber sobre o primeiro beijo, o primeiro namorado, qual faculdade vai cursar, onde vai trabalhar, o quer fazer, em quem vai votar, porque vai viajar, para onde vai viajar, quando vai casar, porque não casou, porque separou, porque comprou, porque vendeu. É um tal de ouvir o quanto ele não era bom pra você, o que fazer, o que deixar de fazer, para onde ir, com quem andar... 

E a cada fase da vida, você percebe que o ciclo vai se repetindo. Mas que o impacto vai diminuindo conforme seu amadurecimento: um dia você realmente se importa com a opinião alheia, até se entristece; no outro, sente um leve incômodo, mas segue o baile; por fim, segue sem se importar porque entende que a opinião dos outros é, de fato, dos outros. 


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