19.11.18

Os porquês da vida...

Lucas,  poucas semanas antes de completar três anos, está brincado na sala da minha casa quando de repente para e olha para um quadro. A aparência dele era séria, realmente intrigado. "Tia, por que você está fantasiada nessa foto?", pergunta. Então olho para o quadro para saber da tal fantasia. Era uma foto da minha colação de grau: capelo redondo e plumado na cabeça, beca bem alinhada ao corpo e, na mão direita, seguro o canudo escrito jornalismo. O que para mim é a representação de um dos momentos mais importantes da minha vida, aos olhos do meu sobrinho é só mais uma foto fantasiada. Só soube rir. 

Era um fim de tarde qualquer, minha mãe tinha recém voltado de viagem quando meu irmão veio visitá-la. Com ele, meu menininho 220 volts, que munido de todos os porquês do mundo, decidiu que desbravaria a casa da vó enquanto o pai estava conversando. A guia? Claro, a tia!  No canto da sala, um ventilador. Ele olha, anda em volta formando um círculo. "Tia, esse ventilador é diferente". Ok, pensei. Realmente, o de casa é um pouco maior do que imagino que ele esteja usando de comparação. Quando decido perguntar o quão diferente era, o meu sobrinho solta: "Ele tem wi-fi?". Fico muda, num misto entre tentar controlar a minha risada relacionada ingenuidade da pergunta e o excesso de pensamentos da minha mente que está tentando entender como aquela criança sabe que muita coisa só funciona na base de internet e, por que não, o ventilador?

Não, não deu tempo de pensar em uma resposta para o ventilador sem wi-fi. Lucas é 220 v, e enquanto eu ainda formulava uma boa explicação, ele já tinha preparado outra pergunta. Agora, com uma foto da minha mãe ainda quando jovem em mãos, ele já estava pronto: "Tia Karol, porque o nome da vó Silvia é Silvia?", disse, me encarando. "Por que seu nome é Lucas?", só consegui pensar. É, ele não esperava outra pergunta, mas a resposta veio rápida: "Porque minha mamãe escolheu". Sorri. Ele me olhou e concluiu: "Então a mamãe da vó Silvia escolheu". Fim de papo e acho que foi a única das 10 perguntas que consegui chegar a uma resposta, ao menos, sensata. Quer dizer, ele chegou!

O Lucas, que mal completou três anos, me fez perceber que na vida vamos esbarrar em vários porquês e, em muitos deles, não teremos sequer uma resposta de imediato. Talvez nem entenderemos a pergunta. Mas que ausência de respostas não diminua a vontade de continuar perguntando. 


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